Donzelas medievais
não existem mais
hoje só existe a mulher
castidade e magia
cambraia e cetim.
hoje
vou fazer o retrato falado de mim.
Primeiro salto
oito e meio
vestido pérola
e qualquer coisa enrolada no pescoço
choque e contraste
segredos mal guardados
tramas de inverno
manhas bem cedo.
Naquela época
eu tinha uma saia acima do joelho
e manias
convem selecionar certas regalias
adoro que me imitem
postura fashion
e transparências
ínvisiveis à noite
impossíveis de dia.
Uma mulher são várias e uma só.
Mantenho um certo ar psicodélico
só uso batom e cajal
preto quando estou de preto
azul quando estou de mal
levo pouca coisa na bolsa
e levo sustos
quando me olho no espelho.
Uma mulher é uma só mas são tantas.
Faço o que todo mundo faz
ultrachique
só mudo os horários
vario os personagens
me divirto mais
ninguem percebe.
Alguem me cobre de flores
e redescubro a criança que está por trás
leio em francês
mal penteio os cabelos
e pago caro por tudo
caso contrário
faria o que todo mundo faz.
Uma mulher é muito mais do que ela sabe ser
E o resto são fantoches
broches na camisa
um clima dark
temperatura amena.
E eu como tantas
serena
me contradigo
não faço o jogo da sedução
mas sei as regras.
E o resto são fetiches
deboches
beijos em clima de happy end
repentes
champanhe às cinco
e assim brinco
pingente
sou eu mesma
esquisita e peculiar.
Uma mulher é uma só e ninguém mais.
Martha Medeiros